Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...

sexta-feira, 1 de março de 2024

Menina de colégio...

Passaram tantos anos, e ainda torno a ver o seu rosto, um rosto que busquei noutras mulheres, que nunca encontrei. Era muito íntegra. Uma coisa perigosa. […] Nunca demos a mão. e tê-lo-íamos achado ridículo. Viam-se pelos caminhos rapariguinhas de mão dada, a rirem-se, a fazerem de amigas, a fazerem de amantes. em nós, havia uma espécie de fanatismo que impedia qualquer efusão física.

«Da discretíssima e notabilíssima Fleur Jaeggy, uma breve narrativa autobiográfica em registo sfumato, ainda que vívido. Intensidade emocional e linguística equivalem-se. E o texto, melancólico, distante, procura o diferente, o irremediável e o bravio, seja o enigma erótico da inteligência, o ubi sunt que evoca colegas que nunca mais vimos, ou o desaforo com que se escolhe irrevogavelmente alguém, como uma jovem abastada que beija o seu cavalo.» Pedro Mexia, Expresso

«Felizes anos de castigo [é] autobiografia tornada ficção mais por via da linguagem do que das personagens ou dos factos. Em personagens e em factos, há uma inspiração, ou mesmo existência, que a memória, já de si ficção, tenta recuperar, sublinhando o que a autora considera um fundamento: a solidão, o silêncio, a marca de um passado traduzido por imagens, quase um espectro que a persegue. É única, perversa, fantasmal, uma escrita que Jaeggy quer tornar mística.» Isabel Lucas, Público

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