domingo, 19 de outubro de 2025
Mundividências...
Jacaranda do escritor franco-ruandês Gaël Faye, que aos 13 anos fugiu do seu país natal rumo a França, acompanhado pela irmã, é o vencedor do Choix Goncourt du Portugal 2024. Retrata o Ruanda, um país devastado após o genocídio dos tútsis. O romance devolve a palavra aos desaparecidos, aos jovens que escaparão à solidão e encontrarão paz junto às margens deslumbrantes do lago Kivu. História de um país que tenta renovar-se através do diálogo e do perdão...
"Escrita carregada de prosa poética que encanta e que nos faz olhar para um tema tão duro, como o genocídio no Ruanda, de uma forma serena. Aprendemos sobre a história deste país e dos seus habitantes, mas aprendemos sobretudo sobre a vida e a nossa (in)capacidade de olhar o Outro e, consequentemente, de olhar o Eu. Milan, o protagonista, transporta-nos para lugares e oferece-nos informações, como as que encontramos acerca dos julgamentos dos genocidas, vizinhos dos assassinados ou mutilados, como Claude. Mas acima de tudo, a personagem leva-nos através de um tempo cronológico e histórico, que está mais próximo de nós do que seria expetável, fazendo-nos refletir sobre aquela realidade, mas igualmente sobre o presente e as atrocidades que se continuam a cometer. Mais uma vez, o Jacarandá, o amigo de Stella, é uma árvore. Esta é o símbolo da vida, da passagem do tempo, da tradição que se transforma em modernidade. Por isso, nem ela é poupada, deixando-nos, tal como a sua amiga, com uma sensação de vazio." Vanda Balão
"Rapper, cantor, autor, compositor e intérprete, Gaël Faye escreveu um romance "que conta, com o olhar de quatro gerações, a história terrível do Ruanda, um país que tenta, apesar de tudo, o diálogo e o perdão", como uma árvore - no caso o jacarandá - "que se ergue entre a escuridão e a luz", celebrando a humanidade, descreve o júri do prémio." Público
"Rapper, cantor, autor, compositor e intérprete, Gaël Faye escreveu um romance "que conta, com o olhar de quatro gerações, a história terrível do Ruanda, um país que tenta, apesar de tudo, o diálogo e o perdão", como uma árvore - no caso o jacarandá - "que se ergue entre a escuridão e a luz", celebrando a humanidade, descreve o júri do prémio." Público
domingo, 14 de setembro de 2025
Ausências...
O que dói...;é não poder apagar a tua ausência e repetir dia após dia os mesmos gestos. O que dói...é o teu nome que ficou como mendigo a descoberto O que dói...é tudo mais e mais aquilo que desteço ao tecer para ti novos regressos. Daniel Faria
«Há tragédias e há comédias, não é verdade? E são frequentemente semelhantes, um pouco como os homens e as mulheres. Uma comédia depende de parar a história exactamente no momento certo.»
Evolução dos sentimentos de uma mulher quando, inexplicavelmente, o marido, ao fim de 30 anos, lhe pede uma “ Pausa”: desde a loucura , desejo de vingança, sofrimento silencioso, solidão, até conseguir refletir sobre a separação … Será que consegue perdoar, qual ele decide terminar a “Pausa”?
A certa altura depois de ele dizer a palavra "pausa", enlouqueci e fui para a um hospital.(...) o Dr P. diagnosticou-me um Transtrorno Psicótivo Breve, o que significavaque somos genuinamente malucos mas não por muito tempo.(...) A "Pausa" era francesa, com cabelos castanhos finos mas brilhantes... Era jovem, claro, vinte anos mais nova do que eu...
Como o título anuncia, é uma novela muito centrada no mundo feminino. A narradora, protagonista, propõe-nos, afinal, um diálogo entre mulheres em diferentes fases da vida…
domingo, 24 de agosto de 2025
Portas
Sinopse: "Magda, jovem escritora na Hungria comunista, até então impedida de publicar, é politicamente reabilitada pelo regime, alcançando, aos poucos, o merecido sucesso e reconhecimento social. Ao mudar-se para um apartamento maior, emprega Emerence, uma camponesa analfabeta, para a ajudar com as lides domésticas. Esta é uma figura enigmática, respeitada e quase temida pela vizinhança, sobre a qual exerce uma autoridade natural, embora ninguém conheça verdadeiramente o seu passado ou vida privada. A inesperada doença do marido de Magda reforçará a ligação entre as duas mulheres, a ponto de Emerence abrir a porta de sua casa a Magda, revelando-lhe os segredos de um passado traumático, ao mesmo tempo que precipitará um final trágico na sua relação."
É uma narrativa rebuscada e lenta, por vezes repetitiva, mas tem momentos estimulantes de prosa poética de uma enorme sensibilidade ….
É um romance complexo, profundo, intenso, cuja ação decorre num espaço restrito, quase claustrofóbico, Pessoalmente, cativou-me por ter identificado Emerence com três mulheres que conheci...
Como conciliar uma perceção purificada com uma atenção apropriada às relações humanas, às tarefas e aos deveres necessários, já para não falar de caridade e compaixão efetivas?
O título, um nome muito repetido ao longo do romance,
em diferentes contextos, remete para a porta
inexpugnável da casa de Emerence. Quando esta se abre- caixa
de Pandora? - desmorona-se o mundo de ambas as mulheres comprometendo a estranha e, por vezes inexplicável, amizade existente entre elas...( inexplicável ou incompreensível?)
A
Porta é uma metáfora das barreiras que levantamos, entre nós e o outro, que nunca abrimos...Isso é positivo ou negativo?
Autobiografia ficcionada que analisa a relação de dependência entre
duas mulheres, sem afinidades aparentes, na Budapeste dos anos 50... uma escritora e a sua empregada , uma mulher de temperamento absolutamente imprevisível que, de modo arrogante, despreza o trabalho intelectual.
O que Emerence odiava era o poder, não importa em que mãos estivesse,
se aparecesse algum homem capaz de resolver todos os problemas dos cinco
continentes, Emerence ficaria contra ele também, simplesmente porque seria o
vencedor. Para ela, todos tinham um denominador comum, deus, o escriturário, o
militante do partido, o rei, o executor, o secretário-geral da ONU, e, se
acontecia de ela manifestar a sua solidariedade a alguém em particular, a sua
compaixão era universal, não apenas a quem a merecia, mas a todos, mesmo aos
criminosos.
Debate imemorial entre contemplativos e ativos...
É pouco provável os contemplativos entregarem-se aos jogos de proxenetas, tornarem-se proxenetas ou bêbados; em regra, não pregam a intolerância nem fazem a guerra; não se veem na necessidade de roubar, de vigarizar o próximo ou de oprimir os pobres.
A espécie mental a que Blake pertencia é relativamente abundante... o visionário desprovido de talento talvez apreenda uma realidade interior não menos tremenda, bela e significativa do que o mundo contemplado por Blake, mas falta-lhe a capacidade para exprimir aquilo que viu.
A mescalina é completamente inócua e os seus efeitos dissipam-se ao fim de oito ou dez horas
Toda a nossa educação é predominantemente verbal e, portanto, mostra-se incapaz de cumprir a missão que lhe deveria caber. Em vez de transformar crianças em adultos plenamente desenvolvidos, produz estudantes de ciências, completamente alhheios à natureza...lança no mundo estudantes de humanidades que nada sabem acerca da natureza humana , a deles próprios ou a dos outros.(...) Para as pessoas mais educadas é quase impossível dedicar uma atenção genuína a tudo o que não sejam palavras e conceitos.(...) As humanidades não verbais, as artes de tomar consciência direta dos factos adquiridos da nossa existência, são quase completamente ignorados.(...) Além disso, este tema da educação das humanidades não-verbais não se encaixa em nenhum dos compartimentos predefinidos.
Opinião de António Ribeiro:
"Ouço falar deste livro desde que me lembro. Mas nunca tinha posto mãos à obra.
Tornou-se um clássico da contra-cultura norte americana da década de 1960, principalmente depois de Jim Morrison ter batizado os “The Doors” a partir do seu título.
E isso é uma injustiça que se lhe faz (ao livro). A única coisa que liga este livro a esse imaginário do “Verão do amor” é apenas o facto de ter como episódio inicial uma experiência com mescalina, o princípio activo existente no “peyotl”, uma raiz consumida pelos indígenas do México.
Aldous Huxley foi, desde muito jovem, um leitor atento dos místicos cristãos. As referências que ele vai citando não deixam dúvidas: o monge dominicano alemão Eckhart, o franciscano flamengo Ruysbroeck, e, finalmente, o carmelita S. João da Cruz, talvez a referência mais citada no livro. O homem que descreveu admiravelmente a angústia da “noite do espírito”. Todos estes autores se inscrevem na escola da mística designada por abstracta ou “apofática”, frequentemente perseguida pela Inquisição.
Huxley afirma que, na sua juventude, não gostava destes autores, que considerava uma espécie de “budistas ocultos”. Mas acabou por compreender que entre a mística cristã, budista, sufi (o misticismo islâmico) e outras existem analogias formais que são inegáveis.
A tese de base do livro é a de que o cérebro humano se destina unicamente a regular a nossa economia animal, e que o uso de ascese e meditação, ou em alternativa o uso de químicos, pode fazer descer as funções cerebrais a níveis mínimos, permitindo aos seus praticantes o acesso a um estado de consciência transcendente.
Em face da experiência que ele descreve, comparando com outras nas obras dos autores que Huxley refere e que eu, em tempos, também li, existem de facto analogias formais muito sólidas.
Ao contrário de Huxley, eu só li, nunca experimentei. É bom lembrar que estes autores deixam bem claro que a viagem ao universo interior pode ser uma experiência devastadora e irreversível.Até por isso é sempre bom deixar espaço à dúvida."
domingo, 10 de agosto de 2025
Quem são estas três mulheres , personagens do libreto feito por Agustina para esta ópera?
Cada uma destas mulheres revela o "seu principal": a espera, o sofrimento, o silêncio.
São as protagonistas de três romances de Agustina: Quina( "Sibila"); Fanny ("Fanny Owen"); Ema ( "Vale Abraão")
«Vamos pôr as nossas máscaras e voltar para o nosso lugar. Elas escondem que somos iguais aos homens e que temos direito ao reino deles. Mas como os iguais não se podem amar temos que usar estas máscaras de ferro toda a vida.»
Mas o o que é o principal?
Resposta de Agustina , numa carta enviada à sua filha:
« Aprendi no livro do Bambi a sabedoria da velha perdiz: o principal é resistir a levantar voo quando se ouvem os tiros.»
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
Sempre mais além...
A viajar, como eu gosto, sem sair de casa, na companhia de alguém que parte, «em busca de sol e calor, de uma ilusão, de uma ideia de liberdade, de contacto com novas terras e gentes» e que afirma , talvez com melancolia, que « Não tinha pressa porque ninguém me esperava em lado nenhum».
Depois de muito viajar e de querer ir «sempre mais além», o autor vive rodeado de mar, , na Ilha das Flores, mas " já não vou a lado nenhum", como afirma no epílogo.
Gostei de ler as viagens, mas o que mais apreciei foi reconhecer, tantos anos depois, o menino de olhar brilhante que conheci com 14, 15 anos...
quinta-feira, 10 de julho de 2025
Nunca...
Nunca li um livro que me provocasse sentimentos tão contraditórios: o prazer da palavra e estados de alma de um sofrimento inexplicável. A emoção intensa aliou-se a uma culpa de estar a violar a privacidade de alguém. Não sou capaz de traduzir em palavras o que sinto, só sei que as lágrimas que chorei foram de felicidade...
A felicidade pelo ciúme...É fácil não ser ciumento, enquanto não se ama...
Que a minha mulher me engana já eu suspeitava há muito.(...) Na verdade, fiz mal em casar, eu sei.Porque, até aí, pouco me interessavam as mulheres, era frio por natureza. (...) Mas eu sou umhomemdifícil por natureza,não o esqueçamos.
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir disfarçar a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre a sua cabeça, um prato quente no final do dia e o que mais deseja: o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que com certeza viverá mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento, porque nessa altura está perdido e a sua alma tem preço.
Nunca devemos ter inveja, mas...
"Um poema sobre “o vício mais ignóbil”, um livro "repelente"? “O mais longo e mais grandioso poema sobre o amor entre homens”?
“Tenho muito orgulho em ser o guardião, no presente, deste milagre da poesia”... “Fui tocado pela coragem e pelo espírito empático com que o jovem Pessoa usou a língua inglesa para explorar a relação entre Adriano e Antínoo.” Explicou ao Expresso o comprador, que pediu o anonimato.
A felicidade pelo ciúme...É fácil não ser ciumento, enquanto não se ama...
Ao mesmo tempo, somos capazes de amar várias pessoas, porque o ser humano é assim...
Nada melhor no mundo do que as volúpias malignas...
A indiferença mantém o ser intacto, a paixão humilha.
Aqui é tudo obrigação...já nem sabem o que é a alegria de viver.
Ser rico é viajar sem malas...
Como é estranha, a vida humana!Fugidia, inapreemsível. É talvez o suspiro o que melhor exprime a sua substância.
Não podemos livrar-nos do passado, sobretudo quando não queremos.
Há algo desntro do homem que ele nunca compreenderá.
A vida depende de formalidades.
Já não quero fechar os olhos...
Que pensas : que eu sou uma besta quadrada, ou estúpido como uma porta? - Isto é que lhe devia ter dito. Mas não disse.
E estes apantamentos talvez sirvam justamente para isso. Para colmatar aquele vazio, que deixei escapartanta coisa na vida. Porque nunca fiz nada,nem disse nada, na altura e no lugar certos. Que fazer?
Não mais responsável pelo acontecido- sou leve, sem bagagem. Interrompe-se o passado e isso é bom.Para quê preocupar-me com fantasias desmedidas como saber se alguém me ama ou não? .
Silencioso, definitivamente silencioso... já o fui na minha juventude, mas, então, igualmente sombrio...
Oh, eu amava-a , hoje não tenho dúvidas, talvez perdidamente - seria bom dizer a alguém-
Sou um homem amadiçoado. Incapaz,hoje, de imaginar coisa diferente sobre mim- alguém que nada satisfaz neste mundo.É o meu destino, parece. Ter sede enquanto viver. E não encontrar alívio em parte alguma.
...
Aliás,para quê a felicidade? Talvez seja essa, em nós, a maior obsessão.
«Parece ser esse o teu destino.Aprende a viver sozinho... Mas definitiva e completamente sozinho».
E ainda me aflige yer-lhe consagrado tão pouco tempo. E logo a ele. Preocupamo-nos ...cpm toda a espécie de gente e não temos tempo para quem vale a pena.
Eu pensei numa pequena e curta aventura...com a pessoa que outrora tanto amava. Era um sentimento ignóbil e interessante porque eu aspirava ao vazio., à volúpia sem conteúdo nem alma, como se nunca a tivesse visto antes
Nessa época, lia ainda mais e, como do costume, deitada. Numa palavra: como se, de factovivesse numa ilha, longe das pessoas, num sossego constante e continuado...
Mas firmemento acredito...que, num belo dia de sol, ela vai reaparecer algures, numa rua deserta, numa esquina, e que, não sendo já nova, há de correr nos seus passsos miúdos e queridos...E que o sol atravessará, brilhando a sua capa preta.
Aposto, à luz da minha alma, que será assim, tal e qual. Caso contrário, de que me serve viver? Eu já só espero isso, e esperarei, enquanto for vivo. Prometo. A quem? Não sei.
É O FIM
Já naqueles tempos,os meus únicos amigos eram feitos de papel e tinta. [...] Onde os meus colegas viam manchas de tinta em páginas incompreensíveis, eu via luz, ruas, gente. As palavras e o mistério da sua ciência oculta fascinavam-me e, para mim, eram a chave que abria um mundo sem fim e a salvo daquele caos.
Quando Cristina e Pedro casaram, Uma brisa gelada acariciou-me a pele, trazendo o hálito perdido das grandes esperanças. / Com a sua ausência,notei pela primeira vez o silêncio que enfeitiçava aquela casa. / Falo de uma mulher a sério,daquelas que nos fazem ser o que temos de ser. / Cristina ofereceu-me aquele olhar ferido e destroçado que me teria perseguido até ao inferno.
A rotina é a governanta da inspiração./ O tempo cura tudo menos a verdade./ A vida só dá uma segunda oportunidade a quem nunca deu a primeira. Foi neste lugar que encontrei quase todas as coisas boas da minha vida...Não lhe quero dizer adeus. Sempere era crente:acreditava nos livros. Ninguém sabe o que cada eu gosta de uma pessoa.
“O Jogo do Anjo é, a meu ver, uma história de mistério que, como A Sombra do Vento, explora e combina numerosos géneros, técnicas e registos. É uma história sobre livros, quem os faz, quem os lê e quem vive com eles, através deles e até contra eles. É uma história de amor, amizade e, em alguns momentos, sobre o lado obscuro de cada um de nós. Pelo menos essa é minha ambição, oferecer ao leitor uma experiência intensa e convidá-lo ao jogo da literatura.” O livro não é uma continuação de A Sombra do Vento, mas sim uma segunda tentativa numa narrativa “centrada num mesmo universo literário. É como uma caixinha chinesa, um labirinto de ficção em que há quatro portas de entrada”. Zafón
Nunca devemos ter inveja, mas...
Este folheto polémico, na época escandaloso, com uma inscrição manuscrita por Fernando Pessoa, foi vendido em Londres por cerca de €22.600...
“Tenho muito orgulho em ser o guardião, no presente, deste milagre da poesia”... “Fui tocado pela coragem e pelo espírito empático com que o jovem Pessoa usou a língua inglesa para explorar a relação entre Adriano e Antínoo.” Explicou ao Expresso o comprador, que pediu o anonimato.
O meu sentimento de "inveja" foi atenuado por esta preciosidade ser usufruída por quem me parece merecê-la...
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