Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...
terça-feira, 27 de outubro de 2026
domingo, 18 de outubro de 2026
Igreja e desassossegoS...
Eu não sonho
possuir-te. Para quê? Era traduzir para plebeu o meu sonho. Possuir um corpo é
ser banal. Sonhar possuir um corpo é talvez pior, ainda que seja difícil sê-lo:
é sonhar-se banal — horror supremo.
E já que
queremos ser estéreis, sejamos também castos, porque nada pode haver de mais
ignóbil e baixo do que, renegando da Natureza o que nela é fecundado, guardar
vilãmente dela o que nos praz no que renegámos. Não há nobrezas aos bocados.
Sejamos castos
como eremitas, puros como corpos sonhados, resignados a ser tudo isto, como
freirinhas doidas...
Que o nosso
amor seja uma oração... Unge-me de ver-te que eu farei dos meus momentos de te
sonhar um rosário onde os meus tédios serão padre-nossos e as minhas angústias
avé-marias...
Fiquemos assim
eternamente como uma figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher
noutro vitral...Entre nós, sombras cujos passos soam frios, a humanidade
passando... Murmúrios de rezas, segredos de (...) passarão entre nós... Umas
vezes enche-se bem o ar de (...) de incensos. Outras vezes, para este lado e
para aquele uma figura de estátua rezará aspersões... E nós sempre os mesmos
vitrais, nas cores quando o Sol nos bata nas linhas quando a noite caia... Os
séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo... Lá fora passarão civilizações,
escacharão revoltas, turbilhonarão festas, correrão mansos quotidianos povos...
E nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma
existência falsa, e a mesma (...)
Até [que] um
dia, no fim de vários séculos de impérios, a Igreja finalmente rua e tudo
acabe...
Mas nós que
não sabemos dela ficaremos ainda, não sei como, não sei em que espaço, não sei
por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um
qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos, de mãos
postas, gelam em mármore a ideia de morte.
Escrevo num domingo, manhã alta, num dia amplo da luz suave, em que, sobre os telhados da cidade interrompida, o azul do céu sempre inédito fecha no esquecimento a existência misteriosa de astros... É domingo em mim também... Também meu coração vai a uma igreja que não sabe onde é, e vai vestido de um traje de veludo infante, com a cara corada das primeiras impressões a sorrir sem olhos tristes por cima do colarinho muito grande. A tolerância é impossível ao crente verdadeiro de qualquer fé, sobretudo se ela excede os limites estreitos do feiticismo e da simples superstição, sem que atinja ainda o sincretismo dos pagãos e dos ocultistas. Quem tem a sua religião por verdadeira, e por certa só dentro dela a salvação das almas, não pode senão considerar como um crime de tal vulto, que excede todos os crimes deste mundo, o pregar outra religião, que não essa, ou o desviar dela aqueles que só nela terão sua salvação. Nada há pois que pasmar do espírito perseguidor dos inquisidores, dos puritanos, e de todos quantos têm deveras uma fé que supõem universal. Nem outra ordem de fé era possível a populações que viviam ainda num grau imperfeito de cultura e de civilização. Podemos lamentar os mártires dessas perseguições, como os das perseguições aos cristãos, fruto de um cuidado análogo, da segurança e da unidade do Império; mas nem devemos culpar os perseguidores como a criminosos, nem lamentar os mártires mais do que lamentamos aqueles sofrem as injustiças da sorte.
Do alto da torre da igreja
Do alto da torre da igreja
Vê-se o campo todo em roda.
Só do alto da esperança
Vemos nós a vida toda.
domingo, 11 de outubro de 2026
Antologia...
tão falho de tempo?
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Palermices...
Inexplicavelmente, acordei a ouvir interiormente esta musiquinha e dei por mim a trauteá-la todo o dia ...
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Evolução ...
sábado, 3 de outubro de 2026
OutonoS...
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Setembro...
da boca mais sombria e mais fechada.
domingo, 30 de agosto de 2026
Distâncias : da realidade à IA...
Filha de Kelly Boesch,um ser real, autora do projeto das letras, e responsável pelo recurso à IA
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Uma lição de história, de cultura clássica e de humanismo...
Em verdade te digo, caro Tobias, acabo de ver aqui a cena da morte do cão Argos, o fiel amigo e companheiro de juventude de Ulisses. Só ele reconheceu herói que voltava a casa. O coração de Argos fraquejou e, como se se cumprisse algo por que esperava há longos anos, morreu de alegria. O coração do herói levou-o às lágrimas. A cena mostra a distância imensa de valores que vai da Ilíada à Odisseia. No primeiro poema, os cães são simples carniceiros que rodeavam os acampamentos gregos, comendo, não raro, os corpos mortos dos guerreiros, fim indigno, que conotava os cães com essa indignidade. E nota, caro Tobias, como esta comovente relação entre Ulisses e o seu cão eleva culturalmente esta nova realidade da cultura grega. Claro que há que veja em Argos uma metáfora da mortal decadência civilizacional de Ítaca, mas não é preciso ir por aí para olhar ver e a cena na sua real e comovente simplicidade. Claro que, por cá e por estes dias, não faltou a patriótica atenção ao facto de o cão-actor – de notável desempenho, diga-se – ser um exemplar da raça Podengo Português. Mas isso não nos interessa por agora. Claro que tu, na tua condição de gato mimado, tratado como um lorde, não és sensível a estes factos, ainda mais sendo um cão o protagonista. Não estás a imaginar-te, certamente, a protagonizar cena semelhante se estivesses no lugar do cão Argos.
Tobias olhou-me com um ar simultaneamente severo e condescendente. Semicerrou os olhos e falou. Falou!
José Alberto Gabriel, professor de Filosofia na ESDICA, proferiu uma frase , para mim, inesquecível:" É preciso licença para ter cão, mas não é preciso licença para ter um filho."
sábado, 8 de agosto de 2026
Servidão...
quarta-feira, 22 de julho de 2026
SaudadeS...
sexta-feira, 17 de julho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
Revelações
Bem escrito, belas imagens, reflexões interessantes, mas o modelo requer dignidade, na forma e no conteúdo...
- A indeterminação temporal e geográfica universaliza o sofrimento dos refugiados, tornando a história válida
para qualquer país dominado pela violência.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
O que é envelhecer? É ir testemunhando o fim...
Envelhecer é ir diminuindo a hipótese de reencontros...
Cada vez mais raros...
Vanda Balão

sexta-feira, 22 de maio de 2026
Coragem?
Só tive mesmo coragem, de correr contra a ternura...
Nunca tinha reparado que este poema é, afinal, uma síntese da minha estória mais bonita...
domingo, 10 de maio de 2026
Uma "bela portuguesa" e "as malditas" ...
sábado, 21 de março de 2026
Vazio? E agora . Solidão? E agora?
A sua vida sempre foi um engano. Mentiu , fingindo ser muito verdadeira, foi verdadeira quando mentia. Nunca foi autêntica, foi sempre uma construção, talvez interessante, de qualquer coisa que poderia ( gostaria?)de ter sido... Como detesta as inúmeras manifestações de afeto. Como ,por outro lado, a deixam feliz...Como planeia , sempre, sempre: finalmente vai mostrar quem é e o que tem sido a sua vida, mas nunca tem coragem. Precisaria de um interlocutor, mas quem?? Quando coloca essa hipótese,é invadida por uma mudez, que sempre a paralisou... Nunca conseguiu dizer a ninguém os seus medos, os seus anseios, a sua verdadeira natureza.
E agora?
quinta-feira, 19 de março de 2026
Perplexidades...
quinta-feira, 12 de março de 2026
Eternidades...
sexta-feira, 6 de março de 2026
What?
E esta noite sonhei o que me aconteceu há quatro anos na realidade, se é que este termo serve de algo ou pode ser contraposto a nada. É claro que houve diferenças, pois embora os factos e a minha visão da história correspondam, sonhei o acontecido por outra ordem, com outro tempo e outras cortes ou divisões do tempo, concentradamente, seletivamente, e – isto é decisivo e incongruente – sabendo já o que se passara, conhecendo, por exemplo, o nome, o caráter e o comportamento de Dato antes de que no meu sonho tivesse ocorrido o nosso primeiro encontro.
Como é possível aniquilar um homem que mal se conhece?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Interrogações...
A descoberta de tais verdades implica um compromisso moral e emocional perante a importância de experienciar bem a vida e a beleza do Universo. "Respeitar e admirar as vidas dos outros, sejam elas célebres ou anónimas, e sentir-se maravilhado pela beleza e a inteligibilidade do Universo são experiências que unem teístas e ateístas, satisfazendo o impulso religioso fundamental dos seres humanos.(...) teístas e ateístas sejam parceiros nas suas ambições religiosas ", cumprindo-se "o ideal igualitário de independência ética"
A intriga gira em torno da família Karamázov, uma representação complexa da sociedade russa do século XIX . O patriarca, Fiodor Karamázov, um homem corrupto e egoísta, é assassinado e os seus três filhos, Dmitri, Ivan e Aliocha, com diferentes visões do mundo, são julgados
Se amas a Deus porque sim e ages em conformidade,´... se és um louco de Deus de semelhante calibre, nesse caso estou disposto a admitir que a ética cristã não é inferior à ateia ( e que pode mesmo ser superior) . Mas só neste caso.
-Com toda a certeza. (...) Com toda a certeza...Que coisa, não é verdade?”. "Um livro que vale muito a pena e que nos faz refletir sobre questões fundamentais que, ultrapassando a religião enquanto instituição, nos fazem pensar no nosso papel no mundo e o que é verdadeiramente ser religioso, ateu ou anticlerical. Mais do que um relato centrado nas figuras do escritor e do Papa Francisco, e que de si já era extraordinário, se pensarmos na sorte que temos em ler aqueles diálogos entre membros do Vaticano e da Igreja, mas também de conhecer melhor a personalidade de Francisco, compreendendo o seu lado humano, "pecador"; esta é uma obra que mostra o que é a entrega da vida a Deus, como acontece com os missionários na Mongólia, de que é exemplo o padre Ernesto; uma obra sobre o que existe para além da vida e, acima de tudo, o que é o amor, o altruísmo e a fé. Há passos marcantes, como a conversa de Cercas com Tolentino, os vários diálogos sobre o celibato e a pedofilia, as histórias dos missionários e aspetos interessantes da biografia de Francisco. Há também uma escrita mais literária do que seria expetável, o que ajuda o leitor a acompanhar cada momento da viagem física e espiritual de Cercas de uma forma mais atenta e aprazível. No fim do livro, há igualmente a bondade, mostrando que esta é a qualidade mais importante em cada ser humano. Talvez esse seja o maior ensinamento que o livro de Cercas nos deixa e que marca o pontificado do Papa Francisco, a sua bondade. " Vanda Balão
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Perfeições imperfeitas...
O acaso-embora não se trate bem de um acaso- virá em seu socorro. ...Anna receberá uma herança...
Partirão,finalmente, emocionados e comovidos, com a melancolia de quem encerra um capítulo da sua vida, mas com a energia impaciente de quem não vê a hora de iniciar o seguinte.

domingo, 11 de janeiro de 2026
FinS ...
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Ano novo, velhos pensamentos...
Nas manhãs frias, essa primeira nuvem de respiração fugidia é a prova de que estamos vivos. (...) Dá-se assim a milagrosa difusão das nossas vidas pelo ar vazio.
































