Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...
domingo, 10 de maio de 2026
Uma "bela portuguesa" e "as malditas" ...
" As novelas são duplamente importantes no percurso literário de Musil. Por um lado, prossegue-se nelas o diálogo com Nietzsche, na medida em que aí se apresentam, sob a forma de parábolas, destinos que se centram numa «naturalidade da vida» que a memória dos homens na Europa do século XX parecia já ter esquecido. Por outro, estas novelas, que revolucionam a própria forma, são escritas sob o signo de um novo modo de pensar ede construir narrativas poéticas guiadas pela recusa de um pensamento mecanicista e causal, insuficiente para explicar a vida humana, e em particular as pulsões de figuras de mulheres divididas entre a alma e o instinto, personagens dominadas pelo acaso e o imprevisto. Em todas as histórias transparece a grande estranheza que domina as relações entre os sexos, que a arte narrativa de Musil explora nas suas tensões mais profundas. É esta decisão, arriscada, de explorar as possibilidades literárias de novas formas de sentir, pensar e agir em personagens femininas complexas que confere a estas novelas, escritas em épocas diferentes, a sua unidade e a sua singularidade."
Uma novela sobre seres "amaldiçoados", em que convergem as facetas mais perturbadoras do mundo "trans": a raiva/ revolta de ser "travesti"; a alegria / necessidade de o assumir. Uma narrativa de estórias "arrepiantes", por vezes cruel, mas muito , muito bem escrita.
"Disseram que éramos mulheres trans, transexuais, trangénero, falaram mesmo em disforia de género e em dissidência sexual(...) Exibiram teorias a nosso respeito para tornar mais higiénica a nossa existência."
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