Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Perfeições imperfeitas...

Ver, ouvir e pensar sobre a "perfeição" da Inteligência Artificial... Sinopse "Anna e Tom, jovem casal de nómadas digitais, recém-chegados a Berlim, acreditam levar uma vida invejável: um trabalho criativo de que gostam, um apartamento cuidadosamente decorado com objetos de design, amigos interessantes, uma relação sexual aberta e serões que terminam na manhã seguinte. Tudo aquilo com que sonharam. No entanto, por detrás desta imagem de «perfeição» nasce uma insatisfação tão profunda quanto difícil de compreender. Os anos passam. O trabalho torna-se repetitivo, a vida social monótona. A cidade já nada tem de novo para lhes oferecer. Anna e Tom sentem-se presos e atormentados por encontrar algo mais real e genuíno. Resta-lhes perseguir noutro lugar esse sonho de autenticidade que lhes parece fugir."

     Berlim
    A vida prometida por estas imagens é limpa e concentrada, fácil.

    Nem sempre a felicidade era fiel às imagens.

    O seu amor ia-se aprofundando a cada dia.

    Viviam duas vidas. Havia a realidade tangível, que os rodeava; havia as imagens. Que também os rodeavam. Surgiam no ecrã do smartphone que os acordava. 

    O futuro aparecia desfocado.

    Experimentaram viajar.
   
    Lisboa


    Como poderiam ter escolhido passar os seus dias assim, debruçados sobre o ecrã na sala de estar da sua casa?

O acaso-embora não se trate bem de um acaso- virá em seu socorro. ...Anna receberá uma herança...

Esta partida será diferente.

    Partirão,finalmente, emocionados e comovidos, com a melancolia de quem encerra um capítulo da sua vida, mas com a energia impaciente de quem não vê a hora de iniciar o seguinte.

Sicília

É mesmo tudo perfeito, dirá a story a reboque. É tal como nas imagens.

Agradecimentos
    "Este romance nasceu como homenagem a As Coisas, de Georges Perec; deve-lhe em grande medida o que possa ter de bom."

 Anna e Tom, as duas personagens desta novela, são um casal italiano de nómadas digitais, com uma vida idealizada entre Berlim, Lisboa e a Sicilia, com uma rotina dominada pelo trabalho remoto e por uma procura de autenticidade. A narrativa destaca a tensão entrea  realidade e a ilusão de perfeição, a par com uma denúncia do consumismo e, sobretudo, da superficialidade das ligações nesta era digital.

 Inspirado em “As Coisas“, de Georges Perec, que analisa a atmosfera e as dúvidas dos jovens intelectuais no final dos anos 60, este livro, que não pretende ser um romance, reproduz símbolos que caracterizam a nossa geração e seu vazio existencial. O aspeto mais interessante deste não romance , que se caracteriza pela inexistência de diálogo e pelas descrições, é o paradoxo entre a vida real e a vida que se exibe. Sobre a verdadeira essência e quem se gostaria de ser - uma personagem tão idealizada quanto inalcançável. Sobre o mundo real versus o mundo digital, um mundo imaginário em que a validação parte de fora, dos likes que se recebem quando se publicam fotos, por vezes, manipuladas.

 " Um retrato fiel e “desencantado” de uma geração, uma parábola de vidas dominadas  pela imagen nas redes sociais e da procura por uma autenticidade cada vez mais frágil e rara. O autor leva-nos a reflectir sobre o sentimento de não-pertença e de falta de propósito característico da geração retratada." Renata







    A população de Alphaville, uma cidade futurista, é dominada pelo computador Alpha 60 que aboliu os sentimentos. 

    O agente Lemy Caution é enviado à cidade com a missão de encontrar o seu inventor, o Professor Von Braun, e convencê-lo a destruir a máquina.
Este romance de estreia de Georges Perec retrata o consumismo em que estaremos atolados até ao fim dos tempos...Nas palavras do autor, a intenção não é condenar a sociedade de consumo , é retratar, nas suas diferentes facetas, a sociedade parisiense do seu tempo.

“Ceux qui se sont imaginé que je condamnais la société de consommation n’ont vraiment rien compris à mon livre ”, 



    Sylvie e Jérôme, um jovem casal que trabalha para agências de publicidade, vivem, ironicamente, obcecados em adquirir coisas, os objectos de um desejo engendrado pela sociedade que servem. 

    Eles rasgariam os envelopes das cartas, abririam os jornais. Acenderiam um primeiro cigarro. Sairiam. O trabalho deles só os ocuparia algumas horas, pela manhã. Eles se reencontrariam para almoçar, um sanduíche ou um grelhado, dependendo do estado de espírito; tomariam um café num terraço, depois voltariam para casa, a pé, devagar.

A frustração surge quando a felicidade que lhes acena nos jornais e nas montras parisienses choca cruelmente com as exigências da vida real. 


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