Cada momento é um salto em frente, e impulsionamo-nos da beira de um penhasco invisível em direção aos contornos afiados dos dias, constantemente renovados. Levantamos os pés do terreno sólido quer foi toda a vida que vivemos até ali e damos esse passo perigoso para o vazio. Não por qualquer ato de coragem em concreto, mas apenas porque não há outro caminho. Agora, neste preciso instante, sinto essa vibração vertiginosa a percorrer-me o corpo, o que coincide com o momento em que decido irrefletidamente avançar para um tempo que ainda não vivi, para este livro que não está ainda escrito
Nas manhãs frias, essa primeira nuvem de respiração fugidia é a prova de que estamos vivos. (...) Dá-se assim a milagrosa difusão das nossas vidas pelo ar vazio.
Nas manhãs frias, essa primeira nuvem de respiração fugidia é a prova de que estamos vivos. (...) Dá-se assim a milagrosa difusão das nossas vidas pelo ar vazio.
Ela esquecia-se muitas vezes de que o seu corpo ( e o de todos nós) é uma casa de areia. Que fora despedaçada e continuava a despedaçar-se. Fugindo-lhe teimosamente por entre os dedos.
Quando os dias compridos finalmente chegam ao fim, é preciso tempo para se estar em silêncio. Como quando estou em frente da lareira e, inconscientemente, estendo as mãos para o silêncio, com os dedos abertos para o seu calir fugidio.
Toda a brancura - Dentro desse branco , de todas as coisas brancas, sorverei o último sopro do ar que exalaste,
Homenagem a alguém que Agustina considera" genial num país que não consome o génio como consome bifes de cebolada."
"Entre os homens cultos, a ciência substituirá a religião"
A obra sanificadora da ciência tem de ser gradual. Nenhum homem de ciência quer «revolucionar», reformar de repente.
Aquilo a que é costume chamar «os maus resultados de tirar a crença ao povo» não é senão uma estigmatização perfeitamente justa dos métodos de cérebros mal-educados na ciência que cometeram o duplo erro de julgar que se pode arrancar uma crença a um povo de repente, e de lhe ir pregar absurdos como o que de que «Deus não existe» e «não há imortalidade da alma» - coisas que ninguém sabe se há ou não há, e sobre as quais a ciência não tem voz nem decisão.
Quantas gerações não serão precisas para a libertação, pela ciência, de um povo? Se ainda não foi possível a libertação, pela ciência, dos homens da ciência, e da gente culta!
Não se deve ir abalar a crença a um ignorante. Deve-se instruí-lo. A instrução lhe abalará a crença. E se não lha abalar é que ela está ainda arreigada de mais para poder ser abalada. Fica para outra geração.
É mesmo duvidoso se se deva proibir o ensino religioso. Deve criar-se uma atmosfera de cultura científica que o vá lentamente fazer caducar. A ciência, não um legislador científico, não pode proceder violentamente contra uma religião, por 3 razões: (1) porque não sabe em absoluto se ela é errónea, ou, pelo menos, inteiramente errónea; (2) porque os processos de propaganda da ciência são incompatíveis com violências, próprias só dos fanáticos religiosos que há entre os homens de ciência, que fazem da ciência uma religião; (3) porque toda a violência levanta uma reacção.



Sem comentários:
Enviar um comentário