Contudo, o que sonhei esta manhã, quando já era de dia, é uma coisa que de facto aconteceu e que me aconteceu quando era um pouco mais jovem, ou menos velho do que agora, embora ainda não tenha acabado. Há quatro anos, viajei, por causa de meu trabalho (sou cantor) e imediatamente antes de ultrapassar miraculosamente o medo que tenho de andar de avião, inúmeras vezes de comboio num período de tempo bastante curto, umas seis semanas no total. Estas deslocações breves e contínuas levaram-me à parte do nosso continente, e foi na penúltima série (de Edimburgo a Londres, de Londres a Paris e de Paris a Madrid num dia e numa noite) que vi pela primeira vez os três rostos sonhados esta manhã, que são também os que ocuparam parte da minha imaginação, muito das minhas recordações e da minha vida inteira (respectivamente) desde essa altura até agora, ou durante quatro anos”.
“E esta noite sonhei o que me aconteceu há quatro anos na realidade, se é que este termo serve de algo ou pode ser contraposto a nada. É claro que houve diferenças, pois embora os factos e a minha visão da história correspondam, sonhei o acontecido por outra ordem, com outro tempo e outras cortes ou divisões do tempo, concentradamente, seletivamente, e – isto é decisivo e incongruente – sabendo já o que se passara, conhecendo, por exemplo, o nome, o caráter e o comportamento de Dato antes de que no meu sonho tivesse ocorrido o nosso primeiro encontro.
E esta noite sonhei o que me aconteceu há quatro anos na realidade, se é que este termo serve de algo ou pode ser contraposto a nada. É claro que houve diferenças, pois embora os factos e a minha visão da história correspondam, sonhei o acontecido por outra ordem, com outro tempo e outras cortes ou divisões do tempo, concentradamente, seletivamente, e – isto é decisivo e incongruente – sabendo já o que se passara, conhecendo, por exemplo, o nome, o caráter e o comportamento de Dato antes de que no meu sonho tivesse ocorrido o nosso primeiro encontro.
Com eles só se pode falar de trabalho ou do mundo que os rodeia(...).Ou se fala tecnicamente, e isso é um trabalho fatigante e árido, ou se fala sentimentalmente, e isso é uma tagarelice frustrante e estúpida.
Tu és a minha vida e o meu amor e a minha vida de conhecimento, e porque és a minha vida não quero ter a meu lado outra pessoa que não sejas
tu quando morrer.
E esta noite sonhei o que me aconteceu há quatro anos na realidade, se é que este termo serve de algo ou pode ser contraposto a nada. É claro que houve diferenças, pois embora os factos e a minha visão da história correspondam, sonhei o acontecido por outra ordem, com outro tempo e outras cortes ou divisões do tempo, concentradamente, seletivamente, e – isto é decisivo e incongruente – sabendo já o que se passara, conhecendo, por exemplo, o nome, o caráter e o comportamento de Dato antes de que no meu sonho tivesse ocorrido o nosso primeiro encontro.
Tornámo-nos um trio inseparável sem que o princípio da inseparabilidade ...fosse de algum modo visível ou enunciável, sem que a profunda atração que Natalia exercia sobre mim e eu sobre ela pudesse aspirar a sê-lo.
O meu carácter consistia em ceder, em boa medida consistia e ainda consiste. Só soube negar-me às coisas em pensamento, e ultimamente, nem sequer penso. Por isso talvez seja melhor estar sozinho, para que não exista a possibilidade de não me negar diante de ninguém nem de não lutar com ninguém.
Como é possível aniquilar um homem que mal se conhece?
Como é possível aniquilar um homem que mal se conhece?
O que dá origem à nostalgia? As coisas mal acabadas e o que não existe.
A vida de Natalia com o marido só pode admitir perpetuação ou cancelamento violento.
Epílogo do autor: "uma história de amor na qual o amor não se vê nem se vive, mas que se anuncia e recorda."

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