Um tema da tragédia clássica numa narrativa demasiado contemporânea... A solenidade do tema é incompatível com a vulgaridade de certas expressóes e com uma realidade demasiado real...
Bem escrito, belas imagens, reflexões interessantes, mas o modelo requer dignidade, na forma e no conteúdo...
Apesar da ausência de datas, o ambiente evoca crises humanitárias e migratórias presentes na
América Latina, marcadas pelo narcotráfico, milícias armadas e crises de saúde pública o tempo parece ser irrelevante, tal como a existência de nomes reais.
- A indeterminação temporal e geográfica universaliza o sofrimento dos refugiados, tornando a história válida
para qualquer país dominado pela violência.
"O
Terceiro País, de Karina Sainz Borgo, é uma viagem à América Latina, com Angustias Romero e Visitación Salazar, duas mulheres que se encontram no caminho entre a vida e a morte,unidas na dor e na luta pela sobrevivência, que tentam dar aos mortos o eterno descanso. O livro é marcado pela frontalidade do discurso, que nos transporta para um ambiente carregado de violência, de guerrilha, de clandestinidade (como acontece com o cemitério que Visitación gere), de narcotráfico e de desigualdade. No entanto, há também momentos em que a ternura, o respeito e até o amor parecem surgir no meio da podridão, mesmo quando os "os irregulares" atacam ou a corrupção instalada não deixa margem para uma vida justa ou para uma morte digna. Uma leitura que não nos deixa indiferentes e que nos faz ter vontade de revisitar os clássicos, sejam os mais recentes (como García Márquez, Juan Rulfo ou Vargas Llosa), sejam os mais distantes no tempo (como a
Antígona de Sófocles)" - Vanda Balão( adaptado)
Sem comentários:
Enviar um comentário