Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...
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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Evolução ...

1856 - 30 anos
Ideal da vida simples no campo e de melhorar a vida dos camponeses que dependem do senhor.

Notas soltas As pessoas agem por medo, não por princípios ou ideias / O senhor julga saber o que quer que os camponeses façam, mas não os ouve.

    
"Querida tia, tomei uma decisão da qual depende a felicidade de toda a minha vida. Deixei a universidade para me consagrar à vida no campo, porque sinto que nasci para isso. Deus confiou-me o dever de zelar pela felicidade de setecentas almas, pelas quais terei de Lhe prestar contas. Seria um pecado e uma cobardia abandonar estas pobres pessoas à arbitrariedade de administradores cruéis e ao abandono, apenas para satisfazer a minha ambição ou os meus prazeres na cidade." 
 "Será possível que não tenham passado de utopias as minhas ilusões?"

 " A sua jovem; imaginação apresentava-lhe a imagem de uma mulher apaixonada; e afigurava -se- lhe ser esse o desejo inexprimido; mas então um sentimento mais elevado lhe dizia que se tratava de outra coisa." 

 "uma ideia diáfana lhe invadira a alma: o bem e o amor representam a verdade e a felicidade." 

  "Não estou contente comigo. Não o estou porque não encontro a felicidade e desejo-a ardentemente."

"(...) Os acordes do piano, às vezes harmoniosos, às vezes fragmentados, ecoavam na pequena sala. Quando Nekhliúdov tocava um motivo simples e o repetia com determinação, a música deixava de ser apenas som e transformava-se na sua própria voz interior. Naquela melodia, ele não ouvia apenas notas; ouvia um coro invisível, uma orquestra inteira que parecia cantar as suas próprias ambições e as suas dores. A música irritava a sua alma, trazia de volta o passado urbano que ele tentara abandonar e os sonhos grandiosos de um futuro de pura abnegação. Mas, no auge dessa febre musical, a melodia esbarrava sempre na dura realidade daquela manhã. Os rostos dos seus servos surgiam diante dele: a miséria de Chikhánok, a desconfiança fria dos camponeses e, de forma mais marcante, a imagem do jovem Ilia. Lembrava-se de Ilia, forte e corado, deitado pacificamente à sombra. 'Por que não sou ele?', pensava Nekhliúdov, enquanto as suas mãos enfraqueciam sobre as teclas estreitas e gastas do piano. 'Ele tem a vida real, a alegria que não precisa de explicações. E eu aqui, preso a este piano, a tentar inventar uma felicidade que não existe.' Os acordes finais extinguiram-se lentamente no quarto desordenado, deixando atrás de si apenas o silêncio e o peso de um abismo que ele, com todo o seu idealismo, não sabia como cruzar." 

  1889 - 61 anos
Ideal do celibato e da castidade absoluta, mesmo dentro do casamento.

    Na mais polémica obra de Tolstói, o protagonista condena o desejo carnal e retrata a mulher como uma tentadora destrutiva, Este alter-ego de Tolstói mata a mulher à facada, justificando o ato com a filosofia de que o sexo e o matrimónio são humilhantes.















É muito interessante conhecer o testemunho de Sofia Tolstaia , quando , só no século XX (1994), a sua voz conseguiu ser ouvida , com a publicação de "De quem é a culpa?" A culpa da destruição dos casamentos não é a "natureza pecaminosa das mulheres" , como Tolstói defende. A culpa reside no egoísmo dos homens, na dupla moral sexual da época e na forma como as mulheres são educadas para o idealismo, apenas para serem submetidas a maridos que as consideram como propriedade física, sem qualquer consideração pelo seu mundo interior. "De quem é a culpa?" da mulher que não se submete ao seu papel tradicional ou do homem que a trata como um objeto? Será o próprio casamento, o verdadeiro responsável?