O que significa ser mulher? O que implica trazer um filho ao mundo? E porquê trazer um filho ao mundo? Que opções têm as mulheres depois de serem mães? A mulher tem o direito de recusar ser mãe? Será a mulher prisioneira de expectativas inalcançáveis em relação ao seu corpo?
Na primeira parte, a narradora, Natsuko, que tenta ser escritora, recebe na sua casa de Tóquio a irmã, Makiko, e a filha desta, Midoriko. Makiko trabalha num bar em Osaka, onde todas viviam inicialmente. Midoriko está zangada com a mãe e não lhe fala e responde às suas perguntas escrevendo num caderno. As duas irmãs veem televisão e bebem cerveja até cair para o lado. Makiko está obcecada com a ideia de operar os seios. As duas irmãs viveram com a mãe e com a avó, que já faleceram. O pai era um preguiçoso e alcoólico, que abandonou o lar.
Estas são algumas das perguntas deste romance protagonizado por três mulheres pertencentes a gerações diferentes…
Na primeira parte, a narradora, Natsuko, que tenta ser escritora, recebe na sua casa de Tóquio a irmã, Makiko, e a filha desta, Midoriko. Makiko trabalha num bar em Osaka, onde todas viviam inicialmente. Midoriko está zangada com a mãe e não lhe fala e responde às suas perguntas escrevendo num caderno. As duas irmãs veem televisão e bebem cerveja até cair para o lado. Makiko está obcecada com a ideia de operar os seios. As duas irmãs viveram com a mãe e com a avó, que já faleceram. O pai era um preguiçoso e alcoólico, que abandonou o lar.
Na segunda parte, Natsuko já publicou um livro, que teve um sucesso relativo, mas está bloqueada na escrita do segundo romance. A partir de certa altura, nunca mais se fala nisso porque a sua obsessão é ter um filho, através de um dador de esperma. Em tempos, teve uma relação com um homem, mas não gostou de ter relações sexuais e nunca mais quer experimentar, daí, ter de recorrer a um dador. No Japão, é possível conhecer um dador num qualquer blogue, encontrar-se com ele num café e ficar com o seu esperma, que ele vai obter na casa de banho do café...
Sinopse: “Seios e Óvulos traça um retrato da feminilidade e maternidade contemporâneas no Japão, contando as viagens íntimas de mulheres que enfrentam os costumes opressivos e as suas próprias incertezas no percurso para encontrar a paz e um futuro a que possam chamar verdadeiramente seu.
Makiko viaja para Tóquio em busca de uma operação de preço acessível para aumentar os seios. É acompanhada por Midoriko, uma adolescente cada vez mais calada por se sentir incapaz de expressar as pressões vagas, mas esmagadoras, associadas ao crescimento.
O seu silêncio revela-se um catalisador para que cada mulher enfrente os seus medos e frustrações. Num dia quente de verão, dez anos mais tarde, Natsu, numa viagem de regresso à sua cidade natal, debate-se com a sua própria identidade indeterminada, enquanto enfrenta ansiedades sobre envelhecer sozinha e sem filhos.”
“Natsuko, a personagem principal, nunca deixa de nos interpelar, de nos fazer equacionar... Da pobreza estigmatizante à ditadura da solidão, do papel que esperam da mulher ao papel que a mulher quer ser, do medo à coragem, este é um livro que amplia horizontes e que, sem oferecer certezas, nos obriga a questionar. Num país onde se apregoa que as mulheres se tornam inúteis a partir da menopausa, Kawakami sesmitica a ordem estabelecida “- Rock&Rolla Ago/23
Se quiserem saber quão pobre alguém foi enquanto crescia, perguntem-lhe quantas janelas tinha. Não perguntem o que tinham no frigorífico ou no armário. O número de janelas diz tudo. Mesmo tudo. Se não tinham nenhuma ou se talvez tivessem uma ou duas, não precisam de saber mais nada.
para uma mulher se tornar um Buda, primeiro tem de renascer como homem.
Midoriko tinha um apetite saudável, ia à escola e falava normalmente com os amigos e os professores. Só não falava com a mãe. Parecia não haver mais nada fora do normal. Apenas se recusava a falar em casa. De propósito.
No outro dia, na escola, entre aulas, alguém, não me lembro quem, dizia: «Nasci rapariga e, por isso, sem dúvida que quero ter um bebé meu, um dia.» Mas de onde vem isso? O sangue que sai do nosso corpo transforma-nos em mulheres? Em potenciais mães? E o que torna isso assim tão fantástico? Alguém acredita realmente nisso?
O sexo , "a insanidade
temporária das nossas vidas”.
"Kyoto é um grande livro, quer pela forma como aborda a história de Chieko, quer pela paz com que nos transmite cada descrição e diálogo, mesmo quando a dor está presente.
Compreendia o desejo de ter alguém a meu lado, de querer dar a mão a alguém. Tinha sentido essas explosões de paixão depois de dizer alguma coisa importate ou quando me apercebia da intensidade dos meus sentimentos. Queria partilhar aquela sensação, mas, quando as coisas começavam a tornar-se físicas, os meus ombros ficavam tensos e o resto do corpo também. A paixão e o sexo eram incompatíveis para mim. Não tinham qualquer relação.
… um homem nunca pode perceber o que realmente
importa para uma mulher, nunca. Quando se diz este tipo de coisas, as pessoas
dizem logo que somos tacanhas ou que nunca conhecemos o verdadeiro amor ou
qualquer coisa desse género. Dizem que não se podem enfiar todos os homens no
mesmo saco assim, mas, infelizmente, é a verdade. Nenhum homem alguma vez
compreenderá as coisas que são realmente importantes para uma mulher.
Se conseguires escrever sobre ti assim, sobre a tua sexualidade, as tuas finanças, as tuas emoções… se conseguires engravidar sozinha e ser mãe (ou mesmo que não consigas), se escreveres sobre tudo o que acontece no processo, fazes ideia do que significaria para tantas mulheres?

É esta a verdadeira Primavera.Tudo, tudo...são flores escarlates. Os ramos das árvores florescentes pareciam não ter mais que uma função: suster as flores.
Um visão não se pode nem tocar, não tem forma...

No primeiro dia de outono, pela mão de Kawabata, estou a sentir a primavera no coração...
Midoriko Tinha um apetite saudável, ia à escola e falava normalmente com os amigos e os professores. Só não falava com a mãe. Parecia não haver mais nada fora do normal. Apenas se recusava a falar em casa. De propósito.Uma visão pode estar na mente, no coração de um homem, ou manifestar-se de qualquer outro modo. A visão de Chienko, aos 60 anos, continua jovem como agora e nunca nos cansamos das visões belas...Estas visões existem para sempre no coração: pode-se esquecer e deixar de amar alguém, emconcreto, que existiu na nossa vida, mas a nossa visão de alguém que amámos nunca deixa de estar presente, nunca.
"Kyoto é um grande livro, quer pela forma como aborda a história de Chieko, quer pela paz com que nos transmite cada descrição e diálogo, mesmo quando a dor está presente.
A escrita é poética e marcada pela contemplação típica do Japão e do mundo oriental. Por isso, ler este livro é contemplar esta sociedade tão diferente e esperar também pela flor das cerejeiras. A narrativa aberta é igualmente um caminho que nos permite percorrer a nossa imaginação, levando-nos numa viagem individual e de busca do Outro." Vanda Balão
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