O verdadeiro horror da existência não é o medo da morte, mas o medo da vida. É o medo de acordar todos os dias para enfrentar as mesmas lutas, as mesmas decepções, a mesma dor. É o medo de que nada mude, de estar preso num ciclo de sofrimento do qual não consegue escapar. E nesse medo há um desespero, um anseio por alguma coisa, qualquer coisa, para quebrar a monotonia, para dar sentido à interminável repetição dos dias.
A vida é para nós o que concebemos nela.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa?
Quantos César fui!
A releitura dos meus sublinhados de O Reino levou-me ao livro do dessassossego: ... e tudo é uma doença incurável. A ociosidade de sentir o desgosto de ter de não saber fazer nada, a incapacidade de agir.
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