Há um tipo de tristeza que vem de saber demais, de ver o mundo como ele realmente é.
É a tristeza de entender que a vida não é uma grande aventura, mas uma série de pequenos momentos insignificantes, que o amor não é um conto de fadas, mas uma emoção frágil e passageira, que a felicidade não é um estado permanente, mas um vislumbre raro e fugaz de algo que nunca poderemos conservar.
E nesse entendimento, há uma profunda solidão, um sentimento de ser separado do mundo, das outras pessoas, de si mesmo.
O verdadeiro horror da existência não é o medo da morte, mas o medo da vida. É o medo de acordar todos os dias para enfrentar as mesmas lutas, as mesmas decepções, a mesma dor. É o medo de que nada mude, de estar preso num ciclo de sofrimento do qual não consegue escapar. E nesse medo há um desespero, um anseio por alguma coisa, qualquer coisa, para quebrar a monotonia, para dar sentido à interminável repetição dos dias.
A vida é para nós o que concebemos nela.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa?
Quantos César fui!
A releitura dos meus sublinhados de O Reino levou-me ao livro do dessassossego: ... e tudo é uma doença incurável. A ociosidade de sentir o desgosto de ter de não saber fazer nada, a incapacidade de agir.
Je ne sais pas qui tu peux être
Je ne sais pas qui tu espères
Je cherche toujours à te connaître
Et ton silence trouble mon silence
(...)
Tu es le sang de ma blessure
Tu es le feu de ma brûlure
Tu es ma question sans réponse
Mon cri muet et mon silence...
Romance baseado na vida de Thoby Stephens, irmão mais novo de Virginia que morre aos 25 anos, é uma denúncia do vazio da civilização moderna no início do século XX.
Recorda-nos, permanentemente, a fugacidade da vida e a inevitabilidade da morte.
Somos obrigados a enfrentar a nossa solidão e finitude.
Sozinho na escuridão, revolvo o mundo na minha cabeça enquanto me debato com mais uma insónia, com mais uma noite em branco na imensidão da natureza selvagem da América.
É o que faço quando o sono se recusa a vir. Deixo-me ficar deitado na cama e conto-me histórias.
História de Owen Brick - homem adormecido num buraco que vai ter a missão de matar o senhor da guerra civil que existe na América, afinal, o próprio narrador/ protagonista, August Brill...
Ele é o dono e senhor da guerra. Foi ele que a inventou, e tudo o que acontece ou vai acontecer está na cabeça dele. Eliminada essa cabeça, a guerra acaba.
Refugiar-se num filme é o mesmo que refugiar-se num livro. Os livros obrigam-nos a dar qualquer coisa em troca... mas podemos ver um filme num estado de negligente passividade.
Nova sociedade - p. 59
Virginia, sempre lá , oculta , emboscada, num recanto da sua mente, e Flora, Brick e Flora vão flutuando ao sabor da corrente do seu nada conjugal, da pequena vida a que ela o convenceu com o bom senso de uma mulher que não acredita noutros mundos - as duas mulheres da vida de Brick- p. 61 e 88
Brill inventou a guerra e inventou Brick para que ele mate Brill- p. 65
Morte de Owen Brick- p. 106
História de Brill e Sonia,contada à neta Katya- p 120 a 133
Perdição diferente de queda, que tem uma dimensão mais espiritual - p. 135
Traição de Brill e causas do fim do casamento de Brill com Sonia - p. 137
Oona McNally- 138 a 140
História de Katya e Titus - p.145 a 149/ 152 a 157