Ah, bate leve, mais levemente! Eu julguei morto meu coração Na hora passa, como demente Ophelia indo para a corrente, Não sei que incerta minha emoção, Julguei-te morto, coração triste, Que nada fazes salvo doer.…… Coração triste, vibras incerto, Gemes na tua desolação. Que oásis falso no teu deserto Não foi esta vaga miragem perto Da tua inútil consolação!
Miragem - imagem causada pelo desvio da luz refletida pelo objeto, ou seja, é um fenómeno físico real e não deve ser confundida com uma alucinação.
Que soidade de mia senhor hei quando me nembra dela qual a vi e que me nembra que ben'a oí falar; e por quanto bem dela sei, rog'eu a Deus, que end'há o poder, que mi a leixe, se lhi prouguer, veer cedo; ca, pero mi nunca fez be se a nom vir, nom me posso guardar d'ensandecer ou morrer com pesar...
Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho logo mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, Que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, Pois com ele tal alma está liada. Mas esta linda e pura semideia, Que como o acidente em seu sujeito, Assim co'a alma minha se conforma, Está no pensamento como ideia; E o vivo e puro amor de que sou feito, Como a matéria simples busca a forma.
Conta, bom homem, conta o teu sonho perdido. Tinhas, pois, uma boa mão de semeador bíblico. Atiravas a semente e a vida nascia a teus pés. Eras senhor da criação e, o universo cumpria-se no teu gesto. E, enquanto o homem falava, eu olhava-lhe a face escurecida dos séculos, os olhos doridos da sua divindade morta. Imaginava-o outrora dominando a planície com a sua mão poderosa. A terra abria-se à sua passagem como à passagem de um deus. A terra conhecia-o seu irmão como à chuva e ao sol, identificado à sua força de biliões.
Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Düa austera, apagada e vil tristeza.
E a nossa grande raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas `daquilo de que os sonhos são feitos`. E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal antearremedo, realizar-se-á divinamente.
A melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Viajar! Perder países! Ser outro constantemente, Por a alma não ter raízes De viver de ver somente! Não pertencer nem a mim!
Eu acho que não vale a pena ter Ido ao Oriente e visto a índia e a China. A terra é semelhante e pequenina E há só uma maneira de viver.
A viagem vista pelo autor: nunca fui à Índia. Este livro é uma viagem totalmente imaginária. Fica em suspenso a hipótese de não ser uma viagem real do protagonista, Bloom, mas de ser uma viagem imaginária, quase um sonho. O que me parece relevante nessa relação com o Oriente é que todos nós, ocidentais, temos quase instintivamente a ideia que o Oriente é assim uma espécie de lado metafísico e espiritual, enquanto o Ocidente será mais o lado materialista. E é um pouco esta ilusão de que no Oriente o espírito está em todo o lado que está na base da viagem do protagonista.... Esta viagem apesar de tudo recupera a ideia da viagem enquanto percurso. Não viagem enquanto destino, porque Bloom sai de Lisboa no canto I e só chega no canto VII à Índia. Faz uma viagem estranha, por Paris, Londres… E o que é importante é mesmo o percurso. Só nesse aspecto é uma viagem antiga, porque as contemporâneas são aquelas em que se procura atingir o destino o mais rapidamente possível. Aqui Bloom atrasa-se, não vai pelo caminho mais recto. Interessa-lhe aprender – é uma viagem de aprendizagem.
Aqui, ao contrário de Os Lusíadas, há uma aventura individual. Em Os Lusíadas faz-se a exaltação de uma aventura colectiva. Esta passagem é essencial, porque é a passagem da descrição de um conjunto de feitos heróicos para o outro século, que é o século XXI, um século muito mais individualista, em que é quase estranho pensarmos que um conjunto de homens sai das suas casas e se junta para passar por uma determinada aventura. Hoje, alguém que de certa maneira quer seguir um caminho que tem que ver com a heroicidade, sai sozinho de casa. Acho que também aí há uma grande diferença entre o século dos Descobrimentos e o século actual. Já está tudo descoberto, já tudo tem nome e dono. No livro há uma saída individual para tentar encontrar qualquer coisa que também tem que ver com puros objectivos egoístas de Bloom.
Diria que Os Lusíadas, tal como as obras clássicas, remete-nos para uma espécie de estado de contemplação. Sinto em relação a Os Lusíadas o que sinto ao ver a grande pintura clássica: uma pessoa fica parada a olhar e a apreciar a beleza estética da obra. É uma lógica completamente diferente da que vemos na criação contemporânea, que muitas vezes não tem este lado tão estético. Os Lusíadas é uma obra que faz parar, que obriga a pessoa a repetir, porque é uma espécie de som encantatório que remete para a poesia mais nobre.
Coli amlo du amba m mtc amloca tenter kai saidic du beme st? Vovisque du, shana ofmbio? top eeffoc tel em eb ruoy your um... não há que ter vergonha de preferir a felicidade...
E, contudo, não sentia remorso por não cumprir as promessas que fizera a si próprio. Essas promessas são só para as gaivotas que aceitam o vulgar. Quem conseguiu chegar à excelência da sua aprendizagem não tem necessidade desse tipo de promessa.
Tem alguma ideia de por quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando? Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de que o nosso objetivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo.
Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, Ao luar e ao sonho, na estrada deserta, Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça, Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo, Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter, Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa, Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa. Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência, Sempre, sempre, sempre, Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma, Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida..
Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas, as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse...- Logo que chegarmos - disse ela -, vamos tomar banho no rio.- Tomamos banho no rio e depois deitamo-nos a descansar na relva - disse o homem, sempre com os olhos fitos na estrada.E ela imaginou com sede a água clara e fria em roda dos seus ombros, e imaginou a relva onde se deitariam os dois, lado a lado, à sombra das folhagens e dos frutos. Ali parariam. Ali haveria tempo para poisar os olhos nas coisas. Ali haveria tempo para tocar as coisas. Ali poderiam respirar(...) Viu que, quando as raízes se rompessem, não se poderia agarrar a nada, nem mesmo a si própria. Pois era ela própria o que ela agora ia perder.Compreendeu que lhe restavam somente alguns momentos.Então virou a cara para o outro lado do abismo. Tentou ver através da escuridão. Mas só se via escuridão. Ela, porém, pensou:- Do outro lado do abismo está com certeza alguém. E começou a chamar. Do outro lado não estava ninguém...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas! Que prazer olhar para as malas fítando como para nada! Dormita, alma! Aproveita, dormita! Dormita! É pouco o tempo que tens! Dormita! É a véspera de não partir nunca!
Estas minhas interessantes viagens hão de ser uma obra prima, erudita, brilhante de pensamentos novos, uma coisa digna do século. Preciso de o dizer ao leitor, para que ele esteja prevenido; não cuide que são quaisquer dessas rabiscaduras da moda que, com o título de Impressões de Viagem, ou outro que tal, fatigam as imprensas da Europa sem nenhum proveito da ciência e do adiantamento da espécie.
Primeiro que tudo, a minha obra é um símbolo... é um mito, palavra grega, e de moda germânica, que se mete hoje em tudo e com que se explica tudo... quanto se não sabe explicar.
É um mito porque - porque... Já agora rasgo o véu, e declaro abertamente ao benévolo leitor a profunda ideia que está oculta debaixo desta ligeira aparência de uma viagenzinha que parece feita a brincar, e no fim de contas é uma coisa séria, grave, pensada como um livro novo da feira de Leipzig, não das tais brochurinhas dos boulevards de Paris.
Há dois princípios no mundo: o espiritualista, que marcha sem atender à parte material e terrena desta vida, com os olhos fitos em suas grandes e abstratas teorias, hirto, seco, duro, inflexível, e que pode bem personalizar-se, simbolizar-se pelo famoso mito do cavaleiro da mancha, D. Quixote; - o materialista, que, sem fazer caso nem cabedal dessas teorias, em que não crê, e cujas impossíveis aplicações declara todas utopias, pode bem representar-se pela rotunda e anafada presença do nosso amigo velho, Sancho Pança. Mas, como na história do malicioso Cervantes, estes dois princípios tão avessos, tão desencontrados, andam contudo juntos sempre, ora um mais atrás, ora outro mais adiante, empecendo-se muitas vezes, coadjuvando-se poucas, mas progredindo sempre.
E aqui está o que é possível ao progresso humano. E eis aqui a crónica do passado, a história do presente, o programa do futuro. Hoje o mundo é uma vasta Barataria, em que domina el-rei Sancho. Depois há de vir D. Quixote. O senso comum virá para o milénio, reinado dos filhos de Deus! Está prometido nas divinas promessas - como el-rei de Prússia prometeu uma constituição; e não faltou ainda, porque, porque o contrato não tem dia; prometeu, mas não disse quando...
Há umas certas boquinhas gravezinhas e espremidinhas pela doutorice que são a mais aborrecidinha coisa e a mais pequinha que Deus permite fazer às suas criaturas fêmeas. Quando, em vez de serem "espremidinhas pela doutorice", o são pela falsa ingenuidade, desorganizam-me totalmente, são a coisa mais indigna do século...
A história é uma tola. Eu não posso abrir um livro de história que me não ria. Sobretudo as ponderações e adivinhações dos historiadores acho-as de um cómico irresistível. O que sabem eles das causas, dos motivos, do valor e importância de quase todos os factos que recontam!
Creio que me vou fazer homem político, falar muito na pátria com que me não importa, ralhar dos ministros que não sei quem são, palrar dos meus serviços que nunca fiz por vontade; e quem sabe?... talvez darei por fim em agiota, que é a única vida de emoções para quem já não pode ter outras. Adeus, minha Joana, minha adorada Joana, pela última vez, adeus.
A primeira impressão é a de uma bizarria que, mesmo não me desagradando, não me cativa: começar a ler pelo capítulo X: caprichos...
Depois desta morte súbita, Seil-Kor, louco de desespero,tinha horror àqueles lugares,até então divinamente iluminados pela presença da sua amiguinha. As visões dos sítios,tantas vezes contemplados,na companhia de Nina,tornavam-lhe odioso o terrível contraste entre o seu luto actual e a sua felicidade passada.hão, num passo largo,
...Um ganso vivo mantinha uma pose de vertiginoso voo,graças a uma cola qualquer que fixava ao chão, num passo largo, as suas patas prodigiosamente distantes. As duas asas brancas estavam amplamente afastadas como se activassem uma fuga desesperada.
Ao chegar ao pé da encosta, Seil-kor molhou o dedo na mistura esbranquiçada e, maliciosamente, escreveu...APANHADA que, prematuramente, aplicava à infeliz Djizmé.
Alucinação é a percepção real de um objeto que não existe, ou seja, são percepções sem um estímulo externo.E visões? Não consigo concluir , com exatidão, o que distingue estas duas formas de ver o que não é/está, além do facto de a alucinação poder afetar diferentes sentidos e a visão só o óbvio...
Expliquei então os meus sofismas mágicos pela alucinação das palavras!...Acabei por considerar sagrada a desordem da minha inteligência.
É inteligente...OhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhOhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
E toda a realidade é um excesso, uma violência,Uma alucinação extraordinariamente nítida Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
O que é infinito é a Possibilidade. O infinito é uma alucinação da inteligência./ a alucinação é real para aquele que a tem, pois é um produto de duas realidades, a força externa e um espírito receptor.
Sentir é criar. Agir é só destruir. Compreender é apenas iludirmo-nos. Parecendo um facto passivo, sentir é ser activo, porque é ter a consciência de sentir. Ter consciência de sentir é ser um modo de sentir.O universo objectivo é uma alucinação simultânea dos sensórios, uma média abstracta entre ilusões.A única realidade que há é a palavra realidade não ter sentido (nenhum). Agir é intrometer-se na ilusão geral, perturbar a ordem do Universo.
Descia-se a escada, chegava-se ao salão onde se reuniam os membros do “Clube dos Haxixinos”, entre eles, Honoré de Balzac, Gérard de Nerval, Victor Hugo. Baudelaire leva -nos à origem do termo que dá nome ao clube: discípulos de uma seita islâmica, em busca da ideia do paraíso, embriagavam-se de haxixe – daí o termo “haxixinos” ou “assassi- nos”. Neste antigo hotel, “isolado da civilização” pelo Sena, mais uma vez se buscou o paraíso através do consumo de haxixe; não como ideia, mas como “estado do espírito e dos sentidos”. Para Baudelaire, é neste estado de alucinações que “o mundo moral abre suas vastas perspectivas, cheias de novas claridades”. É o instante em que “os perfumes, as cores e os sons se correspondem”. O poeta do spleen fez da embriaguez método de trabalho. Rimbaud, anos mais tarde, dirá: “Esse é o tempo dos Assassinos”.
Existem quatro gêneros de cogumelos alucinógenos: psilocibe, panaeolus, capelandia e mmanita, com efeitos semelhantes ao LSD, porém mais brando e de duração mais curta. As drogas alucinógenas causam muitos efeitos, difíceis de prever, pois diferem de pessoa para pessoa,existindo ,por vezes, “bad trips”: ataques de angústia, pânico, alucinações que causam desespero e também o medo de perder o controle e ficar louco.
Picture yourself in a boat on a river With tangerine trees and marmalade skies Somebody calls you, you answer quite slowly A girl with kaleidoscope eye...
Living is easy with eyes closed Misunderstanding all you see It's getting hard to be someone But it all works out It doesn't matter much to me Let me take you down 'Cause I'm going to Strawberry Fields Nothing is real And nothing to get hung about Strawberry Fields forever...
— Ó Princesa Dulcineia, senhora deste cativo coração, muito agravo me fizestes em despedir-me e vedar-me com tão cruel rigor que aparecesse na vossa presença. Apraza-vos, senhora, lembrar-vos deste coração tão rendidamente vosso, que tantas mágoas padece por amor de vós. E como estes ia tecendo outros disparates, todos pelo teor dos que havia aprendido nos seus livros, imitando, conforme podia, o próprio falar deles; e com isto caminhava tão vagaroso, e o sol caía tão rijo, que de todo lhe derretera os miolos se alguns tivera.
Caminhou quase todo o dia sem lhe acontecer coisa merecedora de ser contada; com o que ele se amofinava, pois era todo o seu empenho topar logo logo onde provar o valor do seu forte braço. Dizem alguns autores que a sua primeira aventura foi a de Porto Lápice; outros, que foi a dos moinhos de vento. Mas o que eu pude averiguar, e o que achei escrito nos anais da Mancha, é que ele andou todo aquele dia, e, ao anoitecer, ele com o seu rocim se achava estafado e morto de fome; e que, olhando para todas as partes, a ver se se lhe descobriria algum castelo, ou alguma barraca de pastores, onde se recolher, e remediar sua muita necessidade, viu não longe do caminho uma venda, que foi como aparecer-lhe uma estrela que o encaminhava, se não ao alcáçar, pelo menos aos portais da sua redenção.
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Não é neccessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa...
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Comédias ...Enlevos e fantasias...
Comédias...
Passo por uma rua e estou vendo na face dos transeuntes, não a expressão que eles realmente têm, mas a expressão que teriam para comigo se soubessem a minha vida, e como eu sou, se eu trouxesse transparente nos meus gestos e no meu rosto a ridícula e tímida anormalidade da minha alma.
Ah que bom que era ir daqui de caída Prà cova por um alçapão de estouro! A vida sabe-me a tabaco louro. Nunca fiz mais do que fumar a vida. E afinal o que quero é fé, é calma, E não ter estas sensações confusas. Deus que acabe com isto! Abra as eclusas — E basta de comédias na minh’alma!
Trés bien ensemble...
Was there something more I could have done?
I don't know how you were diverted you were perverted too I don't know how you were inverted no one alerted you...
Crazy, I'm crazy for feeling so lonely.I'm crazy, crazy for feeling so blue...
Help me ... Esta sequência musical seria adequada para uma comédia romântica de inferior qualidade... Quando lhe dá para um absurdo sentimentalismo, desmerece-se e ofende a sua racionalidade...Que fazer? Apeteceu-le ouvir...Deixá-la...
Uma das raras comédias românticas de que gostou...
I’m just a girl… standing in front of a boy… asking him to love her
Se belo foi como é agora bruto e contra quem o fez o olhar lhe brilha, bem deve proceder só dele o luto.Oh, quanto me pareceu grã maravilha quando três faces vi em sua testa! A da frente vermelha se encorrilha; e cada uma das outras, junta a esta, em meio a cada ombro se encavala, e as três se vão juntar na crista infesta:e amarelece a destra em branco rala; a sinistra de ver era tal, quais
os que o Nilo percorrem vala a vala.De cada uma sai par de asas tais, quanto o pássaro há-de carecê-lo: velas do mar assim não vi jamais.Não tinham penas, mas a modo o pêlo seria de morcego; e as agitava, do que três ventos dava em atropelo: e já Cocito todo enregelava. Com seis olhos chorava e aos mentós rente baba sangrenta é ranho gotejava.De cada boca esfacelava a dente um pecador, ripando-lhe a medula, e a cada um de três punha dolente.Era ao da frente a mordedura nula à esfola comparada, que a carne sem pele em carne viva toda ondula.«É a alma que há no cimo maior pena» ...
O Senhor De Nueil, embora escutando a voz de sua interlocutora, não lhe prestara mais atenção. Estava absorto em mil fantasias. Existira outro termo para exprimir os atrativos duma aventura, no momento em que ela sorri à imaginação, no momento em que a alma concebe vagas esperanças, pressente inexplicáveis felicidades, temores, acontecimentos, sem que nada ainda alimente nem fixe os caprichos dessa miragem ? O espírito então adeja, concebe projetos impossíveis e faz germinar as alegrias de uma paixão. Mas talvez que o germe da paixão a contenha inteiramente, como uma semente contém uma bela flor com seus perfumes e seu rico colorido.
Venha aqui ,que será sempre recebido como um vizinho com desejo viver em boas relações ;mas tenho muito apreço à minha solidão para prejudicá-la com uma dependência qualquer .
..Um facto digno de se notar , e que entretanto não foi notado ,é o modo por que submetemos muitas vezes os nossos sentimentos a uma vontade, o quanto assumimos uma espécie de compromisso com nós mesmos ,e como criamos a nossa sorte;a parte do acaso nisso não é tão grande quanto acreditamos.
.....E ai tive que reconhecer o pouco sucesso que obtém a princípio a verdade .A mentira é uma arma decisiva nos casos em que a celeridade deve salvar as mulheres e os impérios.
O desejo do homem é um silogista que por essa ciência exterior deduz os secretos teoremas da voluptuosidade. O espírito a si mesmo diz,sem palavras: " uma mulher que sabe criar-se tão bela deve ter muitos outros recursos na paixão ".E é verdade .As mulheres abandonadas ,são as que amam, as conservadoras,são as que sabem amar
O desconhecido -De onde vem ele? Essa pergunta foi-lhe assoprada ao ouvido por aquele poder que não é a consciência, que não é o demónio, que não é o anjo ,mas que vê, pressente,mostra -nos o desconhecido ,faz crer em seres morais ,em criaturas nascidas no nosso cérebro ,que vão e vêm e vivem na esfera invisível das ideias...
À barca, à barca, senhores! Oh! que maré tão de prata! Um ventozinho que mata e valentes remadores!
Diabo- À barca, à barca, houlá! que temos gentil maré! - Ora venha o carro a ré!
Companheiso - Feito, feito! Bem está! Vai tu muitieramá, e atesa aquele palanco e despeja aquele banco, pera a gente que virá. À barca, à barca, hu-u! Asinha, que se quer ir! Oh, que tempo de partir, louvores a Berzebu!
Anjo - Quem és tu? Parvo - Samica alguém.
Anjo - Tu passarás, se quiseres; porque em todos teus fazeres per malícia nom erraste. Tua simpreza t'abaste pera gozar dos prazeres.Espera entanto per i: veremos se vem alguém, merecedor de tal bem, que deva de entrar aqui.
Anjo- Ó cavaleiros de Deus, a vós estou esperando, que morrestes pelejando por Cristo, Senhor dos Céus! Sois livres de todo mal, mártires da Santa Igreja, que quem morre em tal peleja merece paz eternal.
E assi embarcam.
O barco vai de saída Adeus ó cais de alfama Se agora vou de partida Levo-te comigo ó cana verde Lembra-te de mim ó meu amor Lembra-te de mim nesta aventura P'ra lá da loucura P'ra lá do equador
Não gosto de gil vicente, irritam-me anjos e diabos... Até talvez , tal como carlos da maia, embirre particularmente com anjos. Desprezo tanto o paraíso como o inferno...Gosto dos pink floyd, gosto deste endless river: os contrários atraem-se
A barca do inferno fez-me recordar a noite da má língua e o incomparável alberto pimenta e o mais incomparável ensaio sobre o filho da puta e todos os incomparáveis filhos da puta que pululam neste país...
Estimados Compatriotas:
Acerca do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais variadas lendas. Há até quem seja de opinião de que o filho-da-puta a bem-dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso. É certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus, para arrumar com as dúvidas acerca da sua existência real? Pois quem teria imaginação suficiente para inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta, caso ele não existisse? Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, o filho-da-puta existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta. Porque o filho-da-puta existe e está praticamente em toda a parte: na escola e nas repartições, na indústria e no comércio, na cidade e nas serras, na rua e nas casas, e até nos cemitérios. Deste (exceptuando casos antigos ainda hoje falados, ou então muito recentes que deram que falar) pouco se sabe, como é natural. Desgraçadamente, porém, o mesmo sucede com muitos dos outros filhos-da-puta, e é isso mesmo que eu considero uma triste lacuna no nosso saber. Em grande parte dos casos, não se sabe deles mais que o que se sabe dos anjos, ou seja: que são seres de eleição que estão em toda a parte, mas que só por obras revelam a sua existência, a seres igualmente de eleição. É certo e sabido que filhos-da-puta menos sabidos não desgostam de se revelar; ainda neste caso, porém, não é fácil reconhecê-los, pois o filho-da-puta nem sempre usa sinais distintivos e de resto, há filhos-da-puta que vestem bem e outros que vestem mal, filhos-da-puta garridos e filhos-da-puta soturnos, de uniforme e à paisana, de saias e de calças, de barba e sem barba, de bata branca e de bota preta. Nem sequer é fácil saber com segurança se o filho-da-puta tem predilecção por este ou por aquele traje: é certo que ele se mostra mais nuns que noutros, mas usa sempre o seu traje como a arquitectura de uma tragédia; para ele o nu é o ultraje, e por isso é que o filho-da-puta faz o o traje, embora o traje não faça o filho-da-puta.
Enlevos e fantasias...
Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas coisas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.
Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz Ter por vida a sepultura.
Maybe it was peace at last...
Escuto-me sonhar. Embalo-me com o som das minhas imagens… Soletra-me em recônditas melodias (…) O som de uma frase imageada vale tantos gestos! Uma metáfora consola de tantas coisas! Escuto-me… São cerimoniais em mim… Cortejos… Lantejoulas no meu tédio… Baile de máscaras…Assisto à minha alma com deslumbramento… Caleidoscópio de fragmentadas sequências, de (…) Pompa das sensações demasiado vividas… Leitos régios em castelos desertos, jóias de princesas mortas, por seteiras de castelos, enseadas avistadas... Sonhei que estava num castelo: tudo era como dantes...
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.
Perdi, antes de nascer, o meu castelo antigo. Foram vendidas, antes que eu fosse, as tapeçarias [d]o meu palácio ancestral. O meu solar de antes da vida caiu em ruína, e só em certos momentos, quando o luar nasce em mim de sobre os juncos do rio, me esfria a saudade dos lados de onde o resto desdentado das paredes se recorta negro contra o céu de azul-escuro-esbranquiçado a amarelo de leite.
Deram-me, para se rirem,
Uma corneta de barro,
Para eu tocar à entrada
Do Castelo do Diabo.
Alguns livros funcionam como uma chave para as salas desconhecidas do nosso próprio castelo.
Jurou não se deixar deter, por nenhuma dificuldade do caminho ou pela preocupação com a volta, na continuação da caminhada: afinal, para poder ser arrastado em frente, as suas energias sem dúvida bastariam. Pois o caminho podia não ter fim? Durante o dia o castelo apresentava-se diante dele como um alvo fácil...
O castelo, cujos contornos já principiavam a desvanecer -se, permanecia silencioso como sempre, nunca ainda K. tinha visto o menor sinal de vida nele, talvez não fosse possível reconhecer alguma coisa daquela distância e no entanto os olhos exigiam isso e não queriam suportar a quietude. Quando K. fitava o castelo, às vezes era como se observasse alguém que estivesse calmamente sentado ali e dirigisse o olhar para a frente, não porventura perdido nos próprios pensamentos e com isso fechado a tudo, mas sim livre e despreocupado: como se estivesse sozinho e ninguém o observasse. Tinha no entanto de notar que era observado, sem que isso afetasse o mínimo que fosse a sua tranquilidade; na realidade – não se sabia se era a causa ou a consequência, os olhares do observador não se podiam fixar e desviavam-se.
Não fales... Aconteces demasiado... Tenho pena de te estar vendo... Quando serás tu apenas uma saudade minha? E eu ter de julgar que te posso ver, é uma ponte velha onde ninguém passa... A vida é isto. Os outros abandonaram os remos... Foram-se os cavaleiros com a manhã e o som das lanças… Teus castelos ficaram esperando estar desertos... Nenhum vento abandonou os renques das árvores ao cimo… Pórticos inúteis, baixelas guardadas, prenúncios de profecias — isso pertence aos crepúsculos posternados nos templos e não agora, ao encontrarmo-nos, porque não há razões para tílias dando sombra senão teus dedos e o seu gesto tardio...
Oh estações, oh castelos!Que alma é sem defeitos? Eu estudei a alta magia Do Amor, que nunca sacia...Ah! Não terei mais desejos: Perdi a vida em gracejos. Tomou-me corpo e alento,E dispersou meus pensamentos. Ó estações, ó castelos! Quando tu partires, enfim Nada restará de mim.Ó estações, ó castelos...
Mas será amor ardente o de uma fósfora e de um palito? Pois muito literalmente incendiou-se o pauzito...
O rapaz com Pregos nos Olhos montou a sua árvore de metal. Parecia muito estranha porque ele realmente via mal.
Mr e Mrs Smith tinham uma boa vida. Faziam um belo casal, feliz e normal.Um dia aconteceu uma coisa bestial: Mrs Smith engravida, , Mr Smith fica ufano. Mas correu algo mal com o rebento de amor: Não tinha nada de humano, era um rapaz robô! Não era quente nem fofo e, sem pele que se visse,era, ao invés,de chapa batida com uma série de ameaaças de cabeças saídas.Tinha um ar molengão, sem morte nem vida.Só parecia vivente com uma grande extensão ligada à corrente.Mr Smith levou a mal: "Sr. Doutor, este não é o meu moço, não é de carne e osso, é de liga e metal." Disse o médico docemente: " Há de parecer-lhe demente, mas não é o senhor o legítimo progenitor deste ser repelente. Não conseguimos determinar o sexo deste horror; mas não há que enganar: o pai era um ferro a vapor." Os Smiths passaram a viver como um casal ressentido. Mrs Smith odiava o marido e este odiava a mulher. Nunca lhe conseguia perdoar o seu pecado mortal: um encontro sexual com um ferro de engomar.
E o Rapaz Robô um homem se tornou. Mas tomavam-no por bicho ou por caixote do lixo.
Passo por uma rua e estou vendo na face dos transeuntes, não a expressão que eles realmente têm, mas a expressão que teriam para comigo se soubessem a minha vida, e como eu sou, se eu trouxesse transparente nos meus gestos e no meu rosto a ridícula e tímida anormalidade da minha alma.
Ah que bom que era ir daqui de caída Prà cova por um alçapão de estouro! A vida sabe-me a tabaco louro. Nunca fiz mais do que fumar a vida. E afinal o que quero é fé, é calma, E não ter estas sensações confusas. Deus que acabe com isto! Abra as eclusas — E basta de comédias na minh’alma!
Trés bien ensemble...
Was there something more I could have done?
I don't know how you were diverted you were perverted too I don't know how you were inverted no one alerted you...
Crazy, I'm crazy for feeling so lonely.I'm crazy, crazy for feeling so blue...
Help me ... Esta sequência musical seria adequada para uma comédia romântica de inferior qualidade... Quando lhe dá para um absurdo sentimentalismo, desmerece-se e ofende a sua racionalidade...Que fazer? Apeteceu-le ouvir...Deixá-la...
Uma das raras comédias românticas de que gostou...
I’m just a girl… standing in front of a boy… asking him to love her
Se belo foi como é agora bruto e contra quem o fez o olhar lhe brilha, bem deve proceder só dele o luto.Oh, quanto me pareceu grã maravilha quando três faces vi em sua testa! A da frente vermelha se encorrilha; e cada uma das outras, junta a esta, em meio a cada ombro se encavala, e as três se vão juntar na crista infesta:e amarelece a destra em branco rala; a sinistra de ver era tal, quais
os que o Nilo percorrem vala a vala.De cada uma sai par de asas tais, quanto o pássaro há-de carecê-lo: velas do mar assim não vi jamais.Não tinham penas, mas a modo o pêlo seria de morcego; e as agitava, do que três ventos dava em atropelo: e já Cocito todo enregelava. Com seis olhos chorava e aos mentós rente baba sangrenta é ranho gotejava.De cada boca esfacelava a dente um pecador, ripando-lhe a medula, e a cada um de três punha dolente.Era ao da frente a mordedura nula à esfola comparada, que a carne sem pele em carne viva toda ondula.«É a alma que há no cimo maior pena» ...
O Senhor De Nueil, embora escutando a voz de sua interlocutora, não lhe prestara mais atenção. Estava absorto em mil fantasias. Existira outro termo para exprimir os atrativos duma aventura, no momento em que ela sorri à imaginação, no momento em que a alma concebe vagas esperanças, pressente inexplicáveis felicidades, temores, acontecimentos, sem que nada ainda alimente nem fixe os caprichos dessa miragem ? O espírito então adeja, concebe projetos impossíveis e faz germinar as alegrias de uma paixão. Mas talvez que o germe da paixão a contenha inteiramente, como uma semente contém uma bela flor com seus perfumes e seu rico colorido.
Venha aqui ,que será sempre recebido como um vizinho com desejo viver em boas relações ;mas tenho muito apreço à minha solidão para prejudicá-la com uma dependência qualquer .
..Um facto digno de se notar , e que entretanto não foi notado ,é o modo por que submetemos muitas vezes os nossos sentimentos a uma vontade, o quanto assumimos uma espécie de compromisso com nós mesmos ,e como criamos a nossa sorte;a parte do acaso nisso não é tão grande quanto acreditamos.
.....E ai tive que reconhecer o pouco sucesso que obtém a princípio a verdade .A mentira é uma arma decisiva nos casos em que a celeridade deve salvar as mulheres e os impérios.
O desejo do homem é um silogista que por essa ciência exterior deduz os secretos teoremas da voluptuosidade. O espírito a si mesmo diz,sem palavras: " uma mulher que sabe criar-se tão bela deve ter muitos outros recursos na paixão ".E é verdade .As mulheres abandonadas ,são as que amam, as conservadoras,são as que sabem amar
O desconhecido -De onde vem ele? Essa pergunta foi-lhe assoprada ao ouvido por aquele poder que não é a consciência, que não é o demónio, que não é o anjo ,mas que vê, pressente,mostra -nos o desconhecido ,faz crer em seres morais ,em criaturas nascidas no nosso cérebro ,que vão e vêm e vivem na esfera invisível das ideias...
À barca, à barca, senhores! Oh! que maré tão de prata! Um ventozinho que mata e valentes remadores!
Diabo- À barca, à barca, houlá! que temos gentil maré! - Ora venha o carro a ré!
Companheiso - Feito, feito! Bem está! Vai tu muitieramá, e atesa aquele palanco e despeja aquele banco, pera a gente que virá. À barca, à barca, hu-u! Asinha, que se quer ir! Oh, que tempo de partir, louvores a Berzebu!
Anjo - Quem és tu? Parvo - Samica alguém.
Anjo - Tu passarás, se quiseres; porque em todos teus fazeres per malícia nom erraste. Tua simpreza t'abaste pera gozar dos prazeres.Espera entanto per i: veremos se vem alguém, merecedor de tal bem, que deva de entrar aqui.
Anjo- Ó cavaleiros de Deus, a vós estou esperando, que morrestes pelejando por Cristo, Senhor dos Céus! Sois livres de todo mal, mártires da Santa Igreja, que quem morre em tal peleja merece paz eternal.
E assi embarcam.
O barco vai de saída Adeus ó cais de alfama Se agora vou de partida Levo-te comigo ó cana verde Lembra-te de mim ó meu amor Lembra-te de mim nesta aventura P'ra lá da loucura P'ra lá do equador
Não gosto de gil vicente, irritam-me anjos e diabos... Até talvez , tal como carlos da maia, embirre particularmente com anjos. Desprezo tanto o paraíso como o inferno...Gosto dos pink floyd, gosto deste endless river: os contrários atraem-se
A barca do inferno fez-me recordar a noite da má língua e o incomparável alberto pimenta e o mais incomparável ensaio sobre o filho da puta e todos os incomparáveis filhos da puta que pululam neste país...
Estimados Compatriotas:
Acerca do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais variadas lendas. Há até quem seja de opinião de que o filho-da-puta a bem-dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso. É certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus, para arrumar com as dúvidas acerca da sua existência real? Pois quem teria imaginação suficiente para inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta, caso ele não existisse? Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, o filho-da-puta existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta. Porque o filho-da-puta existe e está praticamente em toda a parte: na escola e nas repartições, na indústria e no comércio, na cidade e nas serras, na rua e nas casas, e até nos cemitérios. Deste (exceptuando casos antigos ainda hoje falados, ou então muito recentes que deram que falar) pouco se sabe, como é natural. Desgraçadamente, porém, o mesmo sucede com muitos dos outros filhos-da-puta, e é isso mesmo que eu considero uma triste lacuna no nosso saber. Em grande parte dos casos, não se sabe deles mais que o que se sabe dos anjos, ou seja: que são seres de eleição que estão em toda a parte, mas que só por obras revelam a sua existência, a seres igualmente de eleição. É certo e sabido que filhos-da-puta menos sabidos não desgostam de se revelar; ainda neste caso, porém, não é fácil reconhecê-los, pois o filho-da-puta nem sempre usa sinais distintivos e de resto, há filhos-da-puta que vestem bem e outros que vestem mal, filhos-da-puta garridos e filhos-da-puta soturnos, de uniforme e à paisana, de saias e de calças, de barba e sem barba, de bata branca e de bota preta. Nem sequer é fácil saber com segurança se o filho-da-puta tem predilecção por este ou por aquele traje: é certo que ele se mostra mais nuns que noutros, mas usa sempre o seu traje como a arquitectura de uma tragédia; para ele o nu é o ultraje, e por isso é que o filho-da-puta faz o o traje, embora o traje não faça o filho-da-puta.
Enlevos e fantasias...
Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas coisas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.
Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz Ter por vida a sepultura.
Maybe it was peace at last...
Escuto-me sonhar. Embalo-me com o som das minhas imagens… Soletra-me em recônditas melodias (…) O som de uma frase imageada vale tantos gestos! Uma metáfora consola de tantas coisas! Escuto-me… São cerimoniais em mim… Cortejos… Lantejoulas no meu tédio… Baile de máscaras…Assisto à minha alma com deslumbramento… Caleidoscópio de fragmentadas sequências, de (…) Pompa das sensações demasiado vividas… Leitos régios em castelos desertos, jóias de princesas mortas, por seteiras de castelos, enseadas avistadas... Sonhei que estava num castelo: tudo era como dantes...
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.
Perdi, antes de nascer, o meu castelo antigo. Foram vendidas, antes que eu fosse, as tapeçarias [d]o meu palácio ancestral. O meu solar de antes da vida caiu em ruína, e só em certos momentos, quando o luar nasce em mim de sobre os juncos do rio, me esfria a saudade dos lados de onde o resto desdentado das paredes se recorta negro contra o céu de azul-escuro-esbranquiçado a amarelo de leite.
Deram-me, para se rirem,
Uma corneta de barro,
Para eu tocar à entrada
Do Castelo do Diabo.
Alguns livros funcionam como uma chave para as salas desconhecidas do nosso próprio castelo.
Jurou não se deixar deter, por nenhuma dificuldade do caminho ou pela preocupação com a volta, na continuação da caminhada: afinal, para poder ser arrastado em frente, as suas energias sem dúvida bastariam. Pois o caminho podia não ter fim? Durante o dia o castelo apresentava-se diante dele como um alvo fácil...
O castelo, cujos contornos já principiavam a desvanecer -se, permanecia silencioso como sempre, nunca ainda K. tinha visto o menor sinal de vida nele, talvez não fosse possível reconhecer alguma coisa daquela distância e no entanto os olhos exigiam isso e não queriam suportar a quietude. Quando K. fitava o castelo, às vezes era como se observasse alguém que estivesse calmamente sentado ali e dirigisse o olhar para a frente, não porventura perdido nos próprios pensamentos e com isso fechado a tudo, mas sim livre e despreocupado: como se estivesse sozinho e ninguém o observasse. Tinha no entanto de notar que era observado, sem que isso afetasse o mínimo que fosse a sua tranquilidade; na realidade – não se sabia se era a causa ou a consequência, os olhares do observador não se podiam fixar e desviavam-se.
Não fales... Aconteces demasiado... Tenho pena de te estar vendo... Quando serás tu apenas uma saudade minha? E eu ter de julgar que te posso ver, é uma ponte velha onde ninguém passa... A vida é isto. Os outros abandonaram os remos... Foram-se os cavaleiros com a manhã e o som das lanças… Teus castelos ficaram esperando estar desertos... Nenhum vento abandonou os renques das árvores ao cimo… Pórticos inúteis, baixelas guardadas, prenúncios de profecias — isso pertence aos crepúsculos posternados nos templos e não agora, ao encontrarmo-nos, porque não há razões para tílias dando sombra senão teus dedos e o seu gesto tardio...
Oh estações, oh castelos!Que alma é sem defeitos? Eu estudei a alta magia Do Amor, que nunca sacia...Ah! Não terei mais desejos: Perdi a vida em gracejos. Tomou-me corpo e alento,E dispersou meus pensamentos. Ó estações, ó castelos! Quando tu partires, enfim Nada restará de mim.Ó estações, ó castelos...
Mas será amor ardente o de uma fósfora e de um palito? Pois muito literalmente incendiou-se o pauzito...
O rapaz com Pregos nos Olhos montou a sua árvore de metal. Parecia muito estranha porque ele realmente via mal.
Mr e Mrs Smith tinham uma boa vida. Faziam um belo casal, feliz e normal.Um dia aconteceu uma coisa bestial: Mrs Smith engravida, , Mr Smith fica ufano. Mas correu algo mal com o rebento de amor: Não tinha nada de humano, era um rapaz robô! Não era quente nem fofo e, sem pele que se visse,era, ao invés,de chapa batida com uma série de ameaaças de cabeças saídas.Tinha um ar molengão, sem morte nem vida.Só parecia vivente com uma grande extensão ligada à corrente.Mr Smith levou a mal: "Sr. Doutor, este não é o meu moço, não é de carne e osso, é de liga e metal." Disse o médico docemente: " Há de parecer-lhe demente, mas não é o senhor o legítimo progenitor deste ser repelente. Não conseguimos determinar o sexo deste horror; mas não há que enganar: o pai era um ferro a vapor." Os Smiths passaram a viver como um casal ressentido. Mrs Smith odiava o marido e este odiava a mulher. Nunca lhe conseguia perdoar o seu pecado mortal: um encontro sexual com um ferro de engomar.
E o Rapaz Robô um homem se tornou. Mas tomavam-no por bicho ou por caixote do lixo.
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